
Já que, Pedro Henrique Wanderley prometeu condensar a carreira e os discos de Chico Buarque a partir dos anos 80, vou me ater a sua fase mais criativa, fase que engloba exatamente o período anterior á década citada.
Sei que Chico anda meio batido, que de dez anos para cá virou unanimidade absoluta nacionalmente, que alguns já estão meio cansados de ouvi-lo, sobretudo porque há uma ótima banda em Recife que toca suas músicas constantemente, sei de tudo isso. Mas obra é atemporal, o que esse gênio fez precisa ser descrito e constantemente revisto.
Pra começar vou falar de um disco que gosto muito, SINAL FECHADO, é um dos grandes discos dos anos 70, quem conhece sabe, mas pra quem não conhece aqui vão algumas revelações dos momentos que antepuseram a feitura desse álbum.
Em 1974, ano do disco, Chico Buarque estava quebrado, liso, contudo, essa história começa um pouco antes. Em 1970 ele voltara de um exílio na Itália fazendo barulho, como lhe aconselhou seu parceiro Vinícius de Moraes. Chico soltou no mercado nada menos que "APESAR DE VOCÊ", um dos grandes hinos contra a ditadura militar. A censura cochilou no “você” e em pouco tempo o compacto vendeu 100.000 cópias. Quando os militares sacaram a malandragem, mandaram recolher das lojas todos os discos, já era tarde. Chico era um alvo querido demais, o mundo já sabia seu samba de cor e o cantava a plenos pulmões em todo país.
Craque como sempre foi, ele aproveitou o momento, fez no ano seguinte um dos maiores discos de sua carreira; CONSTRUÇÃO(no futuro, falaremos dessa obra prima nesse blog) e logo após um disco ao vivo com Caetano Veloso. Mais sucesso não se podia querer. Empolgado, Chico embarcou num projeto com seu amigo Ruy Guerra que escrevia a peça CALABAR, compôs toda trilha da peça, todas as músicas para cada um dos personagens. Empenhou seu dinheiro na montagem e na gravação do disco com as músicas, mas eis que, o regime endureceu de vez, os militares achavam que para um artista popular, Chico estava indo longe demais...
Toda peça foi proibida, não se podia falar a palavra Calabar, quanto mais encená-la. Todo show de Chico tornou-se um inferno, censores na porta, lista de músicas tendo de ser previamente autorizadas e shows cancelados. Para piorar, ele retirou uma música de um festival patrocinado pela tv Globo, como revolta contra a censura que vários artistas vinham sofrendo. Virou persona non gratta na emissora e sua obra, bem como seu nome, foram banidos em todos os programas, sem exceção.
Chico estava perdendo os canais de aproximação com seu público, e isso, pra qualquer artista, é pior que a morte. Viu que a situação estava de fato insustentável, quando num show ao lado de Gilberto Gil, cortaram seus microfones na hora da execução de "CÁLICE", de autoria de ambos. Tudo bem que "Cálice" era um tapa na cara do regime militar, mas Chico sacou que teria de se reinventar se quisesse sobreviver.
Entretanto, como eu já escrevi aqui, talvez seja na pior hora(e talvez por isso mesmo) que o artista se torna mais artista. Chico percebeu que todas as suas novas músicas quando enviadas a censura(e isso era obrigatório na época) voltavam vetadas, sentiu-se cada vez mais isolado e sem perspectivas. Então, teve uma simples idéia, daquelas que só aparecem nos momentos de crise.
Continua semana que vem...
3 comentários:
Já pensasse em ser, além de advogado, escritor..ser também historiador ??
Outra coisa,safadeza colocar "cenas dos próximos capítulos em Chico"...só pra deixar o gostinho... Chico sempre vai conseguir se garantir!! : ) Ele é o máximo!!
Coloca a segunda parte amanhã!!!!Bjo
semana que vem já chegou!
continua Pato!
bjo.
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