
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, ou apenas Tom.
É o maior músico já produzido nesse país. Reverenciado todos os dias no exterior, dá nome ao aeroporto da cidade mais bonita do Brasil, nos deu a supremacia das melodias de música popular no século XX e, ainda assim, ou por isso mesmo, acho que todos nós continuamos em dívida com ele. Não me dou por satisfeito, acho que Tom Jobim devia ser muito maior, mais admirado, reconhecido e, acima de tudo, mais ouvido.
Tom era um cara simples, nasceu em 1927 num mundo que hoje nos parece á séculos de distância. Foi moleque de praia, esportista, sedento de livros e de conhecimento, aberto a natureza e à vida, desenrolado, excêntrico, boêmio e com um insuperável senso de humor.
É o maior músico já produzido nesse país. Reverenciado todos os dias no exterior, dá nome ao aeroporto da cidade mais bonita do Brasil, nos deu a supremacia das melodias de música popular no século XX e, ainda assim, ou por isso mesmo, acho que todos nós continuamos em dívida com ele. Não me dou por satisfeito, acho que Tom Jobim devia ser muito maior, mais admirado, reconhecido e, acima de tudo, mais ouvido.
Tom era um cara simples, nasceu em 1927 num mundo que hoje nos parece á séculos de distância. Foi moleque de praia, esportista, sedento de livros e de conhecimento, aberto a natureza e à vida, desenrolado, excêntrico, boêmio e com um insuperável senso de humor.
Possuidor de uma fonte criativa inesgotável, também era afeito aos pequenos (grandes) prazeres, como a pescaria, o mar, a conversa fiada e o bar. O curioso é que sendo um dos brasileiros mais internacionais de seu tempo, Tom era antes de outra coisa, CARIOCA. Gostava de sempre deixar claro: “Eu não moro no Rio, eu namoro o Rio”.
Sua ligação com a música vem de berço, o médico que o trouxe ao mundo foi o mesmo que, dezessete anos antes, fizera o parto de Noel Rosa em Vila Isabel. Mas as facilidades pararam por aí. Tudo foi meio tardio na vida de Tom. Só abriu um piano aos treze anos, tarde para a maioria dos prodígios, teve sua primeira música gravada (INCERTEZA) aos 26 anos, cantou pela primeira vez em público aos 35, no histórico show ENCONTRO com Vinícius de Moraes, João Gilberto e Os Cariocas, em 1962. (Esse fantástico show, realizado na boate Bon Gourmet, marca a estréia da segunda música mais tocada de todos os tempos, GAROTA DE IPANEMA).
Só saiu do Brasil às vésperas de completar 36 anos para o show da Bossa Nova no Carnegie Hall em Nova York. O LP que gravaria lá “THE COMPOSER OF DESAFINADO PLAYS” era o primeiro que saia com seu nome e apenas aos 38 anos, fez seu primeiro disco como cantor, o excepcional “THE WONDERFUL WORLD OF ANTONIO CARLOS JOBIM”.
Afora esses contratempos, Tom viveu para a música e a música nele viveu. Com parceiros fez dezenas de pérolas que todos nós crescemos ouvido; TERESA DA PRAIA, SINFONIA DO RIO DE JANEIRO (Billy Blanco), CAMINHOS CRUZADOS, MEDITAÇÃO, SAMBA DE UMA NOTA SÓ, DESAFINADO (Newton Mendonça), ESTRADA DO SOL, SE É POR FALTA DE ADEUS, POR CAUSA DE VOCÊ (Dolores Duran) SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ, EU SEI QUE VOU TE AMAR, A FELICIDADE, INSENSATEZ, ÁGUA DE BEBER, POR TODA MINHA VIDA, SÓ DANÇO SAMBA, ELA É CARIOCA (Vinícius de Moraes), DINDI, SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ, INÚTIL PAISAGEM (Aloysio de Oliveira), RETRATO EM BRANCO E PRETO, POIS É, SABIÁ (Chico Buarque). Com esses e muitos outros, Tom deixou outras tantas canções que, sem sombra de duvida, hoje pertencem ao inconsciente coletivo do brasileiro.
Sua ligação com a música vem de berço, o médico que o trouxe ao mundo foi o mesmo que, dezessete anos antes, fizera o parto de Noel Rosa em Vila Isabel. Mas as facilidades pararam por aí. Tudo foi meio tardio na vida de Tom. Só abriu um piano aos treze anos, tarde para a maioria dos prodígios, teve sua primeira música gravada (INCERTEZA) aos 26 anos, cantou pela primeira vez em público aos 35, no histórico show ENCONTRO com Vinícius de Moraes, João Gilberto e Os Cariocas, em 1962. (Esse fantástico show, realizado na boate Bon Gourmet, marca a estréia da segunda música mais tocada de todos os tempos, GAROTA DE IPANEMA).
Só saiu do Brasil às vésperas de completar 36 anos para o show da Bossa Nova no Carnegie Hall em Nova York. O LP que gravaria lá “THE COMPOSER OF DESAFINADO PLAYS” era o primeiro que saia com seu nome e apenas aos 38 anos, fez seu primeiro disco como cantor, o excepcional “THE WONDERFUL WORLD OF ANTONIO CARLOS JOBIM”.
Afora esses contratempos, Tom viveu para a música e a música nele viveu. Com parceiros fez dezenas de pérolas que todos nós crescemos ouvido; TERESA DA PRAIA, SINFONIA DO RIO DE JANEIRO (Billy Blanco), CAMINHOS CRUZADOS, MEDITAÇÃO, SAMBA DE UMA NOTA SÓ, DESAFINADO (Newton Mendonça), ESTRADA DO SOL, SE É POR FALTA DE ADEUS, POR CAUSA DE VOCÊ (Dolores Duran) SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ, EU SEI QUE VOU TE AMAR, A FELICIDADE, INSENSATEZ, ÁGUA DE BEBER, POR TODA MINHA VIDA, SÓ DANÇO SAMBA, ELA É CARIOCA (Vinícius de Moraes), DINDI, SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ, INÚTIL PAISAGEM (Aloysio de Oliveira), RETRATO EM BRANCO E PRETO, POIS É, SABIÁ (Chico Buarque). Com esses e muitos outros, Tom deixou outras tantas canções que, sem sombra de duvida, hoje pertencem ao inconsciente coletivo do brasileiro.
Compôs com grandes letristas, mas para não lhe negar o talento completo basta pegarmos algumas canções em que fez sozinho melodia e letra: CORCOVADO (“quero a vida sempre assim / com você perto de mim / até o apagar da velha chama), WAVE (“e o resto é mar / é tudo que eu nem sei contar), ÁGUAS DE MARÇO (“é madeira de vento / tombo da ribanceira / é o mistério profundo / é o queira ou não queira), LÍGIA (“esqueci no piano / as bobagens de amor / que eu queria dizer), LUÍZA (“Rua, espada nua / bóia no céu, imensa e amarela / como é grande a lua), além de SAMBA DO AVIÃO, VIVO SONHANDO, FOTOGRAFIA e tantas mais.
Para os idiotas que o acusaram (acusam) de americanizado, refuto lembrando que, em parte de sua carreira, Tom não lançava discos no Brasil porque as gravadoras diziam que "disco de Jobim" não vende. Ele dependia dos States para seus projetos. Poderia ter ficado milionário compondo trilhas para filmes americanos, mas recusou todos, inclusive A PANTERA COR DE ROSA e O EXORCISTA. Contudo fez duas trilhas na camaradagem para filmes brasileiros do seu amigo cineasta Paulo César Saraceni e não recebeu um tostão. Até o lançamento do magistral disc ELIS & TOM em 1974, era considerado um estrangeiro. Foi preciso, a maior cantora do país ir a Los Angeles e gravar um disco de duetos, apenas com músicas de Tom, para se perceber que ele era o mais brasileiro dos compositores.
Quis fazer aqui os discos MATITA PÊRE e URUBU, novamente as gravadoras repetiam a velha desculpa. Tom então, ia gravar em Nova York pagando parte da produção do seu bolso e ainda tinha que ouvir quando voltava ao Brasil que virara muito “americano”. O que não deixa de ser uma estupidez desde da essência, pois o emblema “americano” não é exclusividade de quem nasce ao norte do nosso continente. Porém, até sobre isso ele fez galhofa ao dizer: “A diferença entre Nova York e o Rio é que lá é bom, mas é uma merda. E aqui é uma merda, mas é tão bom...”
Os tolos reclamaram ainda mais quando em 1985 ele cedeu ÁGUAS DE MARÇO para um comercial mundial da Coca-Cola que ficou seis meses em cartaz. Para muitos ele tinha “vendido”sua obra prima. Mas o humor sempre foi uma de suas características primordiais e numa entrevista retrucou: “Que eu saiba o negócio da Coca-Cola não é comprar música, é vender refresco. Quer dizer que se fosse o Guaraná podia ?”
A unanimidade só chegou para Tom nos últimos anos de vida. O fim dos anos 80 e o começo dos 90 foram tão desastrosos, que é possível que o povo brasileiro cansado do Governo COLLOR, das lambadas e das duplas sertanejas, tenha se voltado para o seu maior talento musical em busca de um refúgio de qualidade. De repente, Tom começou a ser chamado para estrelar comerciais, voltar as trilhas de novelas e seriados (ANOS DOURADOS) e a receber homenagens de todas as partes. Muitas dessas homenagens eram subterfúgios para que ele se apresentasse de graça, mas quando a MANGUEIRA em 1992 o escolheu como enredo, essa sim, uma homenagem sincera, verdadeira e merecida, o maestro sentiu-se honrado. Na época, o empresário de Tom perguntou o que a Escola pediria em troca, shows na quadra, um samba enredo, o que gostariam... A Estação Primeira como legítima representante do samba nacional, não pediu absolutamente nada.
Para os idiotas que o acusaram (acusam) de americanizado, refuto lembrando que, em parte de sua carreira, Tom não lançava discos no Brasil porque as gravadoras diziam que "disco de Jobim" não vende. Ele dependia dos States para seus projetos. Poderia ter ficado milionário compondo trilhas para filmes americanos, mas recusou todos, inclusive A PANTERA COR DE ROSA e O EXORCISTA. Contudo fez duas trilhas na camaradagem para filmes brasileiros do seu amigo cineasta Paulo César Saraceni e não recebeu um tostão. Até o lançamento do magistral disc ELIS & TOM em 1974, era considerado um estrangeiro. Foi preciso, a maior cantora do país ir a Los Angeles e gravar um disco de duetos, apenas com músicas de Tom, para se perceber que ele era o mais brasileiro dos compositores.
Quis fazer aqui os discos MATITA PÊRE e URUBU, novamente as gravadoras repetiam a velha desculpa. Tom então, ia gravar em Nova York pagando parte da produção do seu bolso e ainda tinha que ouvir quando voltava ao Brasil que virara muito “americano”. O que não deixa de ser uma estupidez desde da essência, pois o emblema “americano” não é exclusividade de quem nasce ao norte do nosso continente. Porém, até sobre isso ele fez galhofa ao dizer: “A diferença entre Nova York e o Rio é que lá é bom, mas é uma merda. E aqui é uma merda, mas é tão bom...”
Os tolos reclamaram ainda mais quando em 1985 ele cedeu ÁGUAS DE MARÇO para um comercial mundial da Coca-Cola que ficou seis meses em cartaz. Para muitos ele tinha “vendido”sua obra prima. Mas o humor sempre foi uma de suas características primordiais e numa entrevista retrucou: “Que eu saiba o negócio da Coca-Cola não é comprar música, é vender refresco. Quer dizer que se fosse o Guaraná podia ?”
A unanimidade só chegou para Tom nos últimos anos de vida. O fim dos anos 80 e o começo dos 90 foram tão desastrosos, que é possível que o povo brasileiro cansado do Governo COLLOR, das lambadas e das duplas sertanejas, tenha se voltado para o seu maior talento musical em busca de um refúgio de qualidade. De repente, Tom começou a ser chamado para estrelar comerciais, voltar as trilhas de novelas e seriados (ANOS DOURADOS) e a receber homenagens de todas as partes. Muitas dessas homenagens eram subterfúgios para que ele se apresentasse de graça, mas quando a MANGUEIRA em 1992 o escolheu como enredo, essa sim, uma homenagem sincera, verdadeira e merecida, o maestro sentiu-se honrado. Na época, o empresário de Tom perguntou o que a Escola pediria em troca, shows na quadra, um samba enredo, o que gostariam... A Estação Primeira como legítima representante do samba nacional, não pediu absolutamente nada.
- Mas nem a obrigação de desfilar ? Indagou Tom.
- Eles não querem nada, apenas a autorização pra usar sua história, no mais, que você esteja á vontade.
Tom ficou tão feliz que não só desfilou, como fez o samba PIANO DA MANGUEIRA e obrigou Chico Buarque a colocar letra. Tudo em retribuição ao presente recebido da Escola no fim da vida. A Mangueira não foi campeã, mas promoveu o encontro do povo com a história do seu compositor mais refinado.
Tom Jobim deixou cerca de 250 canções e 29 discos com seu nome, participou de 37 discos alheios, muitos dos quais não só tocou e cantou como ajudou na orquestração e arranjos sem receber nada, afinal, eram na maioria seus amigos. Morreu em 1994 em Nova York e aí sim o Brasil de fato sentiu (sente até hoje) a perda do seu gênio maior da composição.
Enfim, Tom Jobim é o único músico do planeta com quem FRANK SINATRA resolveu (exigência de Frank), dividir o nome de um disco seu - FRANCIS ALBERT SINATRA & ANTÔNIO CARLOS JOBIM. Mas Tom jamais se deslumbrou com o que quer que fosse. Certa vez numa tarde no Veloso (hoje Garota de Ipanema)no Rio, confidenciou ao seu amigo e parceiro Vinícius de Moraes:
- Vinícius, não adianta, essa juventude não nos entende...
- Mas o que foi Tomzinho ? Perguntou Vinícius.
- Sabe o que é muito melhor que ser bandalho ou galinha ? É amar. O amor é que é a verdadeira sacanagem...
Esse era Tom Jobim.
- Eles não querem nada, apenas a autorização pra usar sua história, no mais, que você esteja á vontade.
Tom ficou tão feliz que não só desfilou, como fez o samba PIANO DA MANGUEIRA e obrigou Chico Buarque a colocar letra. Tudo em retribuição ao presente recebido da Escola no fim da vida. A Mangueira não foi campeã, mas promoveu o encontro do povo com a história do seu compositor mais refinado.
Tom Jobim deixou cerca de 250 canções e 29 discos com seu nome, participou de 37 discos alheios, muitos dos quais não só tocou e cantou como ajudou na orquestração e arranjos sem receber nada, afinal, eram na maioria seus amigos. Morreu em 1994 em Nova York e aí sim o Brasil de fato sentiu (sente até hoje) a perda do seu gênio maior da composição.
Enfim, Tom Jobim é o único músico do planeta com quem FRANK SINATRA resolveu (exigência de Frank), dividir o nome de um disco seu - FRANCIS ALBERT SINATRA & ANTÔNIO CARLOS JOBIM. Mas Tom jamais se deslumbrou com o que quer que fosse. Certa vez numa tarde no Veloso (hoje Garota de Ipanema)no Rio, confidenciou ao seu amigo e parceiro Vinícius de Moraes:
- Vinícius, não adianta, essa juventude não nos entende...
- Mas o que foi Tomzinho ? Perguntou Vinícius.
- Sabe o que é muito melhor que ser bandalho ou galinha ? É amar. O amor é que é a verdadeira sacanagem...
Esse era Tom Jobim.

