POVINHO INGRATO!
Nós brasileiros amamos futebol. Temos os nossos ídolos: Kaká, Robinho, Ronaldinho (o gaúcho), Pelé.
Opa! e Ronaldo?
“Aquele viado, comedor de traveco? Que ídolo que nada... é um amarelão, perdemos a copa de 1998 por conta dele e agora ele mostrou o que é: um viado drogado.”
Variações de respostas como a postada acima, sem dúvida, serão as mais ouvidas para essa indagação.
Outros, poucos, como eu, saímos em defesa do jogador. Ronaldo foi o maior atacante que já vi jogar, expoente máximo na vitoriosa campanha de 2002, o maior ídolo de uma geração.
Ronaldo Luiz Nazário de Lima nasceu em Bento Ribeiro, Estado do Rio de Janeiro. Ainda novo, após não passar no teste do Flamengo, despontou, em 1993, no Cruzeiro. Em 1994, foi contratado pelo PSV, da Holanda. Em 1996 foi para o Barcelona, onde se consolidou como o melhor jogador do mundo. Em 1997, Ronaldo foi contratado pelo FC Internazionale de Milano, onde foi agraciado pelo justo apelido de FENÔMENO. Em 2002, foi transferido para o gigante Real Madrid, onde ficou até 2007. Em 2007 se transferiu para o AC Milan.
Na Seleção Nacional, sua história começou quando, com apenas 17 anos de idade, participou do grupo que conquistou o tetra campeonato mundial nos Estados Unidos.
Em 1998, como ídolo máximo do Brasil, Ronaldo (recém apelidado de Fenômeno) provou em solos franceses que fazia jus ao apelido. No entanto, após sofrer uma convulsão na manhã da final da copa e não conseguir repetir o seu futebol, foi considerado por alguns apenas um “amarelão”.
No entanto, Ronaldo, que às vezes cai, mas se levanta, depois de provar quem era novamente, sofreu uma grave lesão e o povo brasileiro voltou a não acreditar na sua recuperação. O grito era por Romário.
O treinador, no entanto, inteligente, sabia que se tratava de Ronaldo, o Fenômeno, e não do ''bichado''.
Ronaldo foi o artilheiro da copa e conduziu o Brasil ao penta e todo o país voltou a gritar seu nome. Ronaldo, agora, era o maior.
Em 2006, Ronaldo, vítima da idade, do acúmulo de lesões, problemas com peso e no meio de um time desarrumado, tornou-se o maior artilheiro de copas do mundo. Mas o povo já não mais o chamava de ídolo. Agora era Ronaldo, o gordo.
Ronaldo, na verdade, é um gigante na luta do bem social, Embaixador da ONU. Ronaldo participa de causas humanitárias. Ronaldo ajuda milhares de crianças. Ronaldo é um dos melhores jogadores da história do futebol. Ronaldo é um servidor apaixonado da Seleção Nacional. Ronaldo é o amante das mulheres mais bonitas. Ronaldo é um jogador que não se envolve com brigas ou drogas. Ronaldo é um jogador disciplinado. Ronaldo é um fenômeno de atleta, que apesar de sofrer lesões seriíssimas, sempre voltou a sua melhor forma para ajudar o clube em que a atuava e principalmente o selecionado brasileiro.
Mas Ronaldo agora não é mais nada disso. Não é, nem mesmo, um gordo amarelão. Ronaldo é agora apenas um “viado drogado”. Um péssimo exemplo para as criancinhas.
Hoje, o povo brasileiro voltou a massacrar Ronaldo. O que interessa agora são as fofocas.
Esqueceu-se, mais uma vez, da Copa do Mundo. Esqueceu-se de tudo que ele tem feito na luta contra a pobreza. Esqueceu-se do ídolo de nossa geração.
A versão de Ronaldo me parece perfeitamente aceitável. Mas o povo prefere acreditar em um aproveitador barato do que no ídolo de outras horas.
É melhor falar mal de Ronaldo. E melhor execrá-lo. É mais divertido. Gera conversa.
Quem Ronaldo um dia já fez feliz, não mais o apóia.
Os argentinos que dão bons exemplos.
A valorização dos ídolos por lá é que é bonita. Maradona, apesar dos “maus exemplos”, para eles, é o maior jogador de todos os tempos.
Maradona poderia sair com dez travestis para cheirar um quilo de cocaína e ele ainda seria, para os argentinos, o maior jogador de todos os tempos. Muito melhor que Pelé!
Mas o povo brasileiro gosta de chutar, aproveitando-se agora de uma grande trama, da qual o Fenômeno foi vítima.
EITA POVINHO INGRATO!!!!!
Pedro Wanderley
sexta-feira, 2 de maio de 2008
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