sexta-feira, 5 de outubro de 2007


Do minuto em que R.P. MacMurphy põe os pés no hospital psiquiátrico, o estabelecimento médico pressente que aquele não é um paciente comum. Talvez porque ele não seja louco, ou talvez porque ele seja mais louco que os pacientes convencionais. Vindo de uma colônia penal agrícola, MacMurphy convence a direção do sanatório de sua insanidade afirmando exatamente o oposto. Segundo o próprio, o único motivo dele estar ali era porque brigava e fodia de mais.

Não demora muito e a rotina do lugar começa a ser abalada. Mac conquista a amizade dos pacientes e transforma-se em um porta-voz de um grupo onde ele não enxergava loucos, mas apenas pessoas normais reduzidas à condição de um.

Inicia-se assim o conflito entre MacMurphy e a enfermeira Ratched. A enfermeira vê o novato como um vírus capaz de abalar toda sua estrutura imposta aos pacientes através de sua intimidação subliminar. Ela é o pior tipo de vilão que existe: aquele que não tem idéia que é um. Sua vida gira em torno daqueles pacientes submissos e na crença inabalável que seu controle sobre eles é benéfico. Ratched não suporta a simpatia depositada em Mac pelos internos enquanto era ela quem realmente lhes fazia bem. No duelo travado entre a enfermeira Ratched e Mac, percebemos que a sanidade muitas vezes tem menos sentido que a loucura.

Em Um estranho no ninho, Milos Forman brilha na direção, extraindo excelentes atuações de todo o elenco e na reprodução de belos momentos de caos insuportável. Forman, até com os figurantes, capta ótimos desempenhos (é verdade que alguns deles eram de fato doentes mentais). Além de Jack Nicholson e Louise Fletcher nos papéis principais, o cast conta ainda com os então jovens Danny DeVito e Christopher Lloyd. O filme venceu as cinco principais categorias do Oscar de 1976 (filme, ator, atriz, roteiro e direção), façanha antes só alcançada em 1934, por Aconteceu naquela noite.

Um estranho no ninho é um filme esquizofrênico cujo roteiro transita entre cenas hilárias, dignas das mais empolgantes comédias, e momentos apreensivos e perturbadores durante os 120 minutos da fita. Mas este é exatamente o diagnóstico de todo grande filme.

obs.: a película é tão extraordinária na tela como por trás dela. A história da sua pré-produção é uma verdadeira saga da família Douglas (Kirk e Michael) em busca da realização do projeto. No entanto, não adentrarei neste certame. Já o fizeram com bastante propriedade em: www.cineplayers.com/critica.php?id=259

Um comentário:

Alexandre Ramos disse...

Porra nem falesse do Chefe ( O Índio). kkkkkkkkkkkkkk...