quarta-feira, 10 de outubro de 2007
A TODO VAPOR
Alguns discos marcam épocas.
FA-TAL, GAL, A TODO VAPOR, sem dúvida, foi um deles. O disco foi gravado, ao vivo, em 1971. O show é comentado até hoje e, pelo o que eu soube, foi um daqueles que o entusiasmo foi tão grande que deixou todos fascinados, embasbacados, alterados.
O disco é dividido em duas partes.
Na primeira parte, o que predomina é a voz de Gal, acompanhada apenas por um violão. Neste primeiro momento é clara a influência de João Gilberto.
Na segunda, as guitarras distorcidas, estilo Jimi Hendrix, encontra a plena harmonia com a voz fina de Gal.
O repertório não podia ser melhor.
Ao mesmo tempo em que se ouvem pérolas da Bossa Nova, como Falsa Baiana, de Geraldo Pereira, também estão presentes as músicas trabalhadas de vanguarda.
O conterrâneo Caetano foi o escolhido. Quatro músicas do seu companheiro de tropicália fizeram parte do repertório: Como 2 e 2 (duas vezes), Maria Bethânia,
Não Se Esqueça de Mim e Coração Vagabundo.
Jorge Ben também foi agraciado com uma das melhores interpretações de Charles Anjo 45.
Gal também canta, e como canta, Wally Salomão, em Luz do Sol e especialmente em Vapor Barato.
Vapor Barato, inclusive, a meu ver, é a grande música, se é que da para escolher, desta maravilhosa obra de Gal. A música foi tão bem recebida que logo virou o hino hippie dos jovens brasileiros dos anos setenta.
Mas no disco não teve apenas vanguarda e bossa nova.
Nosso Luiz Gonzaga com certeza ficou satisfeito ao ouvir Assum Preto. É de chorar.
Gal também cantou os pseudos alienados da Jovem Guarda, Roberto e Erasmo Carlos, em uma versão de arrepiar de Sua Estupidez.
A baiana ainda teve a sensibilidade de lançar Luiz Melodia, então jovem desconhecido, com a linda Pérola Negra.
O show e o disco FA-TAL, A TODO VAPOR, foi, indubitavelmente, um marco de uma época em que a juventude (ou uma parte dela) era sedenta por cultura e liberdade.
O show foi na época da ditadura, mas Gal gritava que queria ver de novo a luz do sol. Sensacional.
Segue o repertório: 1. Fruta Gogoia2. Charles, Anjo 453. Como 2 e 24. Coração Vagabundo5. Falsa Baiana6. Antonico7. Sua Estupidez8. Fruta Gogoia9. Vapor Barato10. Dê um Rolê11. Pérola Negra12. Mal Secreto13. Como 2 e 214. Hotel de Estrelas15. Assum Preto16. Bota a mão nas cadeiras17. Maria Bethânia18. Chuva, Suor e Cerveja19. Luz do Sol
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Um comentário:
Pedro,
Esse disco é simplesmente fantástico. Pena não podermos ter ido ao show, que é por muitos (inclusive Whashington Olivetto), considerado um marco no meio musical brasileiro. Esse show ficou tanto tempo em cartaz e com tanto sucesso, que uma parte da praia de Ipanema onde existia um Pier ficou conhecida como "AS DUNAS DA GAL" ou as dunas do "BARATO" por conta da música de Salomão. De fato uma bela lembrança, parabéns.
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